23/07/2008 12:15


SINOPSE DA IMPRENSA


Da “Coluna do Honorato”, news letter eletrônica de Carlos Alberto Honorato da Silva – karlos.honorato@terra.com.br


POLITICAS:

- Lula define participação restrita no primeiro turno. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai participar das campanhas, ainda no primeiro turno, dos petistas Marta Suplicy (candidata à prefeita de São Paulo) e Luiz Marinho (candidato a prefeito de São Bernardo do Campo); (1)

- Lula quer divulgar PAC e pede esforço por reforma política; presidente diz que objetivo é 'injetar otimismo'; (1)

- Lula libera ministros para fazerem campanha Presidente autorizou que todos os ministros façam campanhas para seus candidatos, mas definiu duas exceções: Dilma Rousseff e José Múcio Monteiro; (3)


Eleições em SP - Se eleita, Marta diz que vai 'sentar e conversar' com Serra. Ex-ministra do Turismo e candidata do PT se reuniu com representantes de sindicatos ligados à construção civil; (2)

- PT e PSDB - Aliança PT e PSDB está em mais de mil cidades do País. Número pode ser ainda maior que as 1.130 cidades registradas em levantamento parcial no site do TSE; (2)

- Deputado de milícia tinha arsenal em casa. Acusado de chefiar uma milícia na Zona Oeste, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM, mesmo partido do prefeito Cesar Maia) tinha em casa um arsenal apreendido durante a sua prisão pela Polícia Civil. No cerco à casa do deputado – cuja filha, Carmen, é candidata a vereadora – houve tiroteio e um dos milicianos, foragido da Justiça, foi baleado. O deputado foi preso com mais cinco pessoas, mas outras sete fugiram. A Polícia apreendeu documentos com a contabilidade da quadrilha, que faturava por mês até R$ 1,8 milhão, e uma lista com 43 nomes de policiais prestadores de serviços. A Alerj deve abrir processo ético contra o deputado; (1)

- AMB divulga os 'fichas-sujas'; Maluf é o que tem mais processos. Lista disponível no site da entidade traz dados sobre candidatos a prefeito e vice nas 26 capitais do País; (2)

- Licença para Angra 3. Com 61 exigências, o Ibama deverá liberar hoje a licença prévia da usina nuclear de Angra 3. Autoridades do setor elétrico reagiram com contrariedade. O maior ponto de discórdia é a obrigação de solução "definitiva" para os rejeitos. (1)


NACIONAIS:

- Ações e renda fixa atraem investidor asiático ao Brasil. O investidor pessoa física asiático descobriu o Brasil. Nos últimos meses, cresceu rapidamente o valor investido por japoneses e coreanos em fundos que aplicam recursos captados em papéis brasileiros; (1)

- Sistema S vai oferecer mais cursos gratuitos. O Sistema S terá que investir dois terços dos recursos que recebe para treinar trabalhadores em cursos técnicos gratuitos. Esse é o principal item do acordo feito ontem entre governo e entidades como Senai e Sesc; (1)

- Óleo de palma em alta. O Brasil recebe novos investimentos para aumento da produção de óleo de palma e a unidade de beneficiamento. A Braspalma terá projeto em Tefé (AM), em parceria com o governo da Malásia, país que lidera o cultivo no mundo; (1)

- Emprego formal cresce mais rápido no interior do que nas capitais; (3)

- IBGE abre 700 vagas de nível médio para agente censitário; (3)

- Planejamento autoriza 150 vagas para Ministério das Relações Exterior; (3)

- Já funciona, e bem, a internet grátis na orla. O JB testou e aprovou o funcionamento da rede Wi-Fi, de conexão gratuita à internet, que começou a operar ontem na orla de Copacabana, entre a Avenida Princesa Isabel e Rua Santa Clara. Até o fim de agosto, o Projeto Digital do governo estadual cobrirá toda a extensão da orla. A proposta prevê que todo o Estado terá cobertura Wi-Fi até o fim do próximo ano, segundo a UFRJ; (1)

- Anvisa cancela registro do Prexige. Decisão afeta o antiinflamatório na sua apresentação de 100 mg, indicada para uso contínuo; a de 400 mg, para casos agudos, teve sua venda suspensa no país por 90 dias. Mais três remédios da mesma classe poderão ser proibidos; (1)

- Correios fazem mutirão para regular entregas. Funcionários vão trabalhar duas horas a mais entregar 130 milhões de objetos. (2)


INTERNACIONAIS:

- Justiça ordena extradição de Karadzic para tribunal da ONU. Ex-presidente sérvio é acusado de genocídio pelo massacre de 7,5 mil muçulmanos bósnios em 1995; (2)

- Rússia pode posicionar bombardeiros em Cuba, diz jornal. Diário russo afirma que Moscou pode voltar a usar a ilha com fins militares como na crise dos mísseis, em 1962; (2)

- Tempestade Dolly força a retirada de 23 mil pessoas no México. Dolly ganha força em águas quentes do Golfo do México e pode virar furacão; Defesa Civil decreta alerta laranja; (2)

- Campanha de McCain diz que mídia tem 'amor' por Obama; (2)

- Obama defende solução política e diplomática para o Iraque; (2)

- Barack Obama se encontra com o premiê iraquiano em Bagdá; (2)

- Rice diz que candidatura de Obama é uma grande conquista; (2)

- Palestino joga trator sobre carros em Jerusalém e é morto. Ataque é promovido nos arredores do hotel em que Barack Obama se hospedaria em Israel nesta noite; (2)

- Brown diz que ameaças do Irã a Israel são 'abomináveis'. Premiê britânico diz ao Parlamento israelense que Londres impedirá que iranianos tenham armas nucleares; (2)

- Irã afirma que não renunciará a direito à tecnologia nuclear; (2)

- Rússia celebra boas relações com Chávez. (2)


ESPORTES:

- Corinthians só empata com o Ceará no Estádio do Castelão. Alvinegro paulista fica no 2 a 2 e completa o terceiro jogo sem vitória no Campeonato Brasileiro da Série B; (2)

- PALMEIRAS - Kléber e Denilson são multados por expulsões. Jogadores receberam o cartão vermelho na partida de domingo contra o Goiás; (2)

- São Paulo - Em nova posição, Hugo comemora boa fase na equipe. Jogador passa a exercer a função que o meia Danilo ocupou até 2006; (2)

- CBF confirma amistoso contra o Vietnã. Partida acontecerá no dia 1.º de agosto; Bremen quer tirar Diego da seleção. (2)


BRASÍLIA/DF:

- Presidência troca Buriti pelo CCBB. A partir de setembro, a Presidência da República passará a funcionar no Centro Cultural Banco do Brasil. Palácio do Buriti só será utilizado para solenidades oficiais; (1)

- Divulgado resultado do Exame da Ordem do DF Dos 1.994 estudantes que participaram da primeira fase, 687 fizeram as provas prático-profissionais e 479 conseguiram aprovação na etapa final do Exame; (3)

- Frota de microônibus começa a operar neste Sábado; (3)

- Lei seca deve virar hábito em dois anos, dizem especialistas; (3)

- O tempo em Brasília – A temperatura ficará entre 9º e 26º. Sol com algumas nuvens. Não chove. (3)


Fonte:
(1)-h ttp://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
(2)-h ttp://www11.estadao.com.br/ultimas/
(3)-h ttp://noticias.correioweb.com..br/
(4)-h ttp://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/index.html
(5)-h ttp://www.emtemporeal.com.br/index.asp?area=1&canal=6


enviada por Tales Faria



22/07/2008 17:19

No Rio, emperrou o debate na TV


Estive hoje com o candidato do PDT a prefeito do Rio, Paulo Ramos. Disse aqui, ontem, que o considero fora da disputa. Não acredito que ele chegue ao segundo turno.

Mas política não é uma ciência exata. Já errei muito em minhas previsões. Graças a Deus, acertei mais. Mas os erros ensinaram-me a cultivar a humildade. Isso, no entanto, é outro assunto. O caso aqui é a campanha eleitoral, o Paulo Ramos e o debate dos candidatos na TV.

Como já disse, não creio que Paulo Ramos vença. Mas mesmo assim, aqui no JB vamos incluí-lo na série de candidatos a serem sabatinados. No mínimo, seu partido, o PDT, continua tendo alguma expressão entre os cariocas. O deputado reclama muito das pesquisas eleitorais. Diz que elas estão sendo manipuladas, que não há hipótese de o PDT, no Rio, estar com o mesmo número de eleitores que o PCB. Não sei se as pesquisas estão sendo manipuladas. Mas custo a acreditar que o candidato do PCB tenha o mesmo número de votos do Paulo Ramos.

O curioso da história é que o Paulo Ramos barrou os debates na TV entre os candidatos do Rio. As emissoras Globo e Bandeirantes propõem que apenas os cinco primeiros participem do programa. Ele quer que os debates sejam feitos em dois programas, com seis dos 12 candidatos em cada transmissão.

Jornais são empresas particulares. Fazem o que quiserem. TVs são concessões públicas estão mais amarrados às leis que regem o aparato estatal. Se um dos candidatos ameaçar entrar na Justiça Eleitoral, o programa não vai ao ar. "Eu vou barrar. Não quero saber. Não vou aceitar dioscriminação", diz Paulo Ramos.

Cá pra nós, acho que têm quatro candidatos no Rio que são absolutamente inexistentes. Não podemos abusar da paciência do telespectador, colocando lá qualquer nome de qualquer legenda de aluguel. Mas também acho cinco nomes, num programa inicial de campanha, no caso do Rio, muito pouco. Deixaria de fora, de saída, por exemplo, Chico Alencar (PSOL) e Alessandro Molon (PT), que -- venhamos e convenhamos -- têm sua representatividade. Assim como o próprio Paulo Ramos.

Então acho que as TVs também podem ceder. Oito candidatos, num primeiro debate, não seria tão mal assim.

enviada por Tales Faria



21/07/2008 14:51

O bispo vai para o Segundo Turno. Mas tem lá suas fraquezas


Na sabatina com o candidato a prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB), no Jornal do Brasil, perguntei-lhe: "Quem passa para o segundo turno?" E o senador respondeu sem meias palavras, o que não é comum em políticos:
- Eu acho que a Jandira Feghali ou a Solange Amaral podem chegar.
Tenho dito isso em público.


Concordo e discordo do candidato. Os dois podem passar e o Eduardo Paes (PSDB) também. São os três mais prováveis, junto com Crivella, que é o favorito. Mas no Rio ainda têm outros três nomes com chances efetivas: Fernando Gabeira (PV) Alessandro Molon (PT) e Chico Amaral (PSOL).

Apesar dos esforços de Paulo Ramos (PDT) continuo achando que ele está fora da disputa. Sua candidatura é boa para a legenda -- e até para ele próprio ter seu nome mais em evidência. Mas não creio que vá longe.

O resto são os nanicos. Quatro candidatos invisíveis.

A voz corrente entre os analistas no Rio é de que qualquer candidato que for disputar contra Crivella terá grandes chances de vencê-lo. A rejeição ao fato de ele ser da Igreja Universal do Reino de Deus é grande. Daí porque Crivella, na sabatina, se comprometeu até a manter o apoio da Prefeitura à Parada Gay. Os evangélicos, como se sabe, tê horror a gays. Acham que é coisa do diabo.

O senhor vai apoiar a parada gay do Rio, como um evento do calendário da cidade?
- A prefeitura dará todo o apoio para que a parada gay ocorra com os serviços públicos de que ela necessita. É uma expressão da diversidade sexual de pessoas que têm que ser respeitadas. Assim como peço que respeitem também a minha opção heterossexual e a minha opinião de achar que o melhor arranjo familiar que a evolução humana encontrou é homem e mulher, mas respeito aqueles que pensam diferente.

Crivella divulgou até uma espécie da Carta-compromisso segundo a qual será um prefeito de todos, e não da sua Igreja. Não creio que isso sirva para aplacar as resistências. Mas vamos ver...


enviada por Tales Faria



21/07/2008 14:31

Eu sou a favor das algemas


Meu amigo Luiz Orlando Carneiro noticia:

"O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve estabelecer, na sessão ordinária do próximo dia 6, os limites – considerados "razoáveis" – para o uso de algemas, não só no momento da prisão de indiciados em inquéritos criminais – como ocorreu na Operação Satiagraha – mas também durante o julgamento, pelos tribunais do Júri, de réus acusados de crimes dolosos contra a vida.

O caso-piloto é um recurso em habeas corpus em favor de Antonio Sérgio da Silva, condenado a mais de 13 anos de reclusão por homicídio triplamente qualificado. A defesa do réu – que cumpre pena em São Paulo – postula a anulação do processo, por ter o condenado permanecido algemado durante todo o julgamento.

O relator do recurso, ministro Marco Aurélio, não adianta o teor de seu voto – que está quase pronto – mas assegura: enfrentará o problema do uso indiscriminado de algemas de maneira abrangente, e não apenas com relação ao pedido da defesa do condenado em questão."


Pois é. Agora há uma onda danada contra as algemas. Bastaram alguns figurões posarem com o bracelete e a turma resolveu julgar o adorno. Isso aí: adorno. Porque as algemas têm hoje essa função. Uma coisa adjetiva, simbólica. Uma demonstração de que o sujeito cometeu algum ilícito e está sendo encaminhado à prisão.

Antigamente, por aqui, só a rapaziada do andar de baixo andava com algemas. Às vezes, nas mãos e nos pés. A turma do andar de cima, nada...

Só víamos casos assim no exterior. Um banqueiro, um especulador, lá pelos EUA, pela Europa, sempre que é pego, desfila de algema pelo noticiário. Uma forma de dar um recado aos demais: não quer passar vergonha, então não roube!

Há poucos anos -- creio que no governo FHC -- é que alguns figurões começaram a desfilar com algemas. De início, quando se colocou o bracelete em gente de quem a mídia não gostava, ficou por isso mesmo. Ninguém se compadeceu do Jader Barbalho, por exemplo. Mas agora estão chegando mais perto dos amigos. Aí o bicho pega. E o Supremo Tribunal Federal, rapidinho, já vai dar seu parecer contra as algemas. Quer valer?

enviada por Tales Faria



21/07/2008 14:18

Sobreviventes do holocausto

Sempre brilhante esse Mauro Santayana. Hoje, no "JB", ele escreveu:



A diplomacia não se faz só com palavras escolhidas e referências oblíquas. Às vezes é preciso dizer as coisas como são – o que fez o ministro Celso Amorim, a propósito das infindáveis conversações da Rodada de Doha.

Todos sabem que controlando as informações mundiais, os países ricos fazem mais ou menos o que fazia Goebbels: distorcem os fatos e suscitam o ódio contra os que consideram adversários de seus interesses, como fizeram Bush e Blair em relação ao Oriente Médio. Agora tentam jogar a opinião pública mundial contra os países emergentes, que procuram defender os pobres nas negociações de Doha.

Imediatamente à declaração do ministro, aproveitando-se do fato de ser a senhora Susan Schweib, chefe da delegação norte-americana, filha de um sobrevivente do holocausto, membros da delegação norte-americana acusaram Amorim de ter cometido uma ofensa diplomática. Torceram os fatos e fizeram provocação gratuita. A embaixadora Schweib representa os Estados Unidos: não representa o povo judeu. Sobreviventes do holocausto somos todos nós, que estaríamos na imensa pira do nazismo, se os aliados, com os russos à frente, não houvessem cortado o passo a Hitler e seus seguidores. Os judeus, os eslavos e os ciganos foram vítimas preferenciais, por estarem à mão, mas Hitler não enganou ninguém. É só ler Mein Kampf e, ainda de forma mais clara, o livro Hitler m’a dit, de seu confidente Hermann Rawshning. Seu objetivo era escravizar todos os povos do mundo – e exterminar os que pudessem liderar a resistência contra a Herrenrasse que julgavam ser.

Ontem mesmo, quando os jornais comentavam a reação norte-americana à observação de Celso Amorim, El Pais denunciava, em extensa reportagem, a existência de campos de concentração flutuantes dos Estados Unidos. A partir da Sétima Frota, estacionada na Ilha de Diego Garcia (formalmente sob administração britânica), navios norte-americanos vagam pelo Oceano Índico, com prisioneiros clandestinos, suspeitos de terrorismo, interrogados em seus porões, longe de tudo, de advogados, de familiares, do conhecimento da opinião pública.

A ilha de Diego Garcia, descoberta pelos portugueses no século 16, era ocupada por nativos, que foram obrigados a migrar para Mauritius, nos anos 70, a fim de facilitar as instalações navais americanas. Expulsos de seus lares e de sua subsistência econômica, recorreram à justiça britânica, que, em 1990, considerou ilegal a expulsão e determinou o retorno – mas a ordem ficou sem cumprimento, até que, em 2003, outro tribunal britânico lhes negou esse direito. Estamos diante de um ato que não envergonharia os nazistas.

Segundo o ex-juiz Ricardo de Prada, citado na matéria de El Pais, prisões, como as instaladas pelos ianques em seus navios, não têm referências nem ancoragem territorial. A carta de corso é total. Ninguém é responsável. Ex-prisioneiros nesses navios, como o australiano David Hicks, o afegão Abdul Salam, o norte-americano John Walker Lindh, foram torturados barbaramente, como relataram a companheiros seus, que puderam levar os fatos à organização britânica Reprieve. Depois da tortura eram interrogados por psicólogos que lhes diziam: "Calma, rapazes, contem seus sonhos".

Por falar em holocausto – e não há ser humano digno de sua condição que justifique o genocídio contra os judeus, nem contra outros povos – o incidente ocorrido quinta-feira com o nosso embaixador em Tel Aviv deveria ter merecido resposta mais viril da Chancelaria Brasileira. Como noticiaram os jornais, a estudante brasileira Laila Pinto Coelho foi detida e interrogada, sob suspeita de ser árabe, durante três horas, no aeroporto. Seu pai, o embaixador Pedro Motta Pinto Coelho, que a esperava, descobriu que estava detida. Mesmo apresentando sua credencial de embaixador de nosso país, e se identificando como seu pai, foi obrigado a deixar o local quase à força. Só depois de localizar, pelo telefone, o diplomata de plantão na chancelaria judaica, pôde sair com a filha.

Talvez pelo fato de que Amorim e Lula se encontrassem viajando, o Itamaraty esteja aguardando novas informações, a fim de agir. Mas seria o caso de chamar o nosso embaixador para consultas. Não há precedente histórico de um embaixador do Brasil ser tratado dessa forma.

Célio de Castro

O médico Célio de Castro, que morreu ontem em Belo Horizonte, construiu uma biografia honrada de militante de esquerda, deputado federal por Minas e prefeito de Belo Horizonte. Foi, em sua intensa vida pública, exemplo de dignidade política.


enviada por Tales Faria



21/07/2008 12:52


SINOPSE DA IMPRENSA


Da “Coluna do Honorato”, news letter eletrônica de Carlos Alberto Honorato da Silva – karlos.honorato@terra.com.br

POLITICAS:

- Lula participa de comemorações do dia nacional da Colômbia e defende a libertação de reféns das FARC; (2)

- Lula promete novos investimentos da Petrobras na Bolívia; (2)

- Projetos mudam gestão da Previdência Social. O governo mandará ao Congresso, mês que vem, dois projetos de mudança na Previdência. Segundo o ministro José Pimentel, um prevê que caberá ao INSS, e não mais ao trabalhador, comprovar o tempo de serviço para aposentadoria; (1)

- Rio - Crivella sai na frente, mas empata no 2º turno. Ex-bispo tem 23% na cidade carioca, seguido por Jandira Feghali, com 14%; (2)

- Belo Horizonte - Candidato apoiado por PSDB e PT é o 3º na disputa. Jô Moraes, do PC do B, lidera com 17% da preferência dos eleitores; (2)

- Marta e Alckmin mantêm liderança na disputa em SP, indica Ibope; (2)

- Sindicalistas protocolam pedido de impeachment de Mendes. Grupo ligado à CUT argumenta que o presidente do STF teria sido parcial ao conceder habeas-corpus a Dantas; (2)

- Congresso inicia recesso parlamentar até agosto. Atividades legislativas serão retomadas no dia 1º de agosto, com sessão não-deliberativa em plenário; (2)

- Israel retém filha de embaixador brasileiro por 'nome árabe'. Ministério israelense nega versão do diplomata sobre incidente em aeroporto; Itamaraty cobra explicações; (2)

- Amorim pede desculpas após citar frase de nazista na OMC. O ministro Celso Amorim disse lamentar o possível mal-estar com sua citação de frase atribuída ao nazista Joseph Goebbels, “uma mentira dita muitas vezes vira verdade”, em referência a países ricos na Organização Mundial do Comércio. A representante americana Susan Schwab é filha de sobreviventes do Holocausto. Amorim insinuou que a reação irritada dos EUA é tática de negociação; (1)

- Caso Dantas ganha reforço de força-tarefa. Uma força-tarefa de cerca de 50 pessoas, envolvendo desde a Polícia Federal (PF) até o Ministério Público e o Banco Central, começa hoje a analisar o material recolhido nas 58 ações de busca e apreensão da Operação Satiagraha, que tem como alvo o banqueiro Daniel Dantas. (1)


NACIONAIS:

- Rio de Janeiro receberá mais de R$ 100 Bi de investimentos. Os investimentos públicos e privados programados para os próximos dois anos no Rio de Janeiro transformarão o estado em um grande canteiro de obras. Os setores de petróleo e gás, siderurgia, petroquímica e logística são os principais responsáveis pela concentração de projetos que devem manter a atividade econômica em alta até 2010; (1)

- Cimenteiras vão investir R$ 5,5 bilhões. Surpreendidas por um crescimento acelerado da demanda, as indústrias de cimento brasileiras investem cerca de R$ 5,5 bilhões para ampliar a capacidade de produção em 35% até 2012. Quando esse ciclo de aportes estiver concluído, as cimenteiras brasileiras terão condições de fabricar até 85 milhões de toneladas por ano, o que colocará o país entre os 10 maiores fabricantes do produto no mundo; (1)

- Mega-Sena acumula e vai pagar R$ 30 milhões; (3)

- Planejamento autoriza 400 vagas para Ibama e Instituto Chico Mendes; (5)

- Secretaria da Saúde do DF abre 160 vagas; (3)

- Carteiros tentam tirar o atraso. Os funcionários dos Correios que voltam a trabalhar hoje vão esticar o horário para normalizar as entregas. Processo deve levar 15 dias; (1)

- Chega a 8 total de mortos em ação policial em favela no Rio. De acordo com a PM, operação tem como objetivo a apreensão de drogas e armas na Favela Minha Deusa; (2)

- Corpo de Dercy Gonçalves será enterrado nesta segunda-feira. (3)


INTERNACIONAIS:

- Argentina suspende o aumento nos impostos agrícolas. Medida aparece após o veto no Senado na quinta-feira, com o voto do vice-presidente argentino; (2)

- Cuba libera terras ociosas para aumentar produção de alimentos. Raúl Castro cede propriedades estatais aos agricultores para tentar conter dependência da importação; (2)

- Conselheiro de Bush diz que ataque ao Irã causaria desordem; (2)

- Obama diz que situação afegã é 'precária e urgente'. Candidato democrata inicia giro pelo exterior pelo Afeganistão após visitar tropas dos EUA no Kuwait; (2)

- Pesquisas dão vantagem a Obama na corrida. Democrata tem entre 6 e 8 pontos sobre o republicano John McCain; (2)

- Rice diz que candidatura de Obama é uma grande conquista; (2)

- Zimbábue envergonha a África, diz Kofi Annan. Para o ex-secretário da ONU, crise na região não pode manchar a imagem do continente, informa 'Guardian'; (2)

- Justiça confirma absolvição de mentor de atentados em Madri. Corte absolve outros 4 condenados por ataques contra sistema ferroviário que matou 191 e feriu 1.800 em 2004

- Tufão Kalmaegi mata sete em Taiwan e atinge a China. Pelo menos seis estão desaparecidos; cerca de 360 mil são retirados de áreas de risco no sudeste chinês. (2)


ESPORTES:

- Vitória surpreende e impõe segunda derrota seguida ao Flamengo; (3)

- São Paulo vence o Botafogo e fica perto do G-4 do Brasileirão. Vitória por 2 a 1 - terceira consecutiva - deixa a equipe a três pontos do líder do campeonato, o Flamengo; (2)

- Palmeiras perde mais uma fora de casa pelo Brasileirão. Equipe de Vanderlei Luxemburgo volta a cometer erros no sistema defensivo e cai diante do Goiás por 3 a 2; (2)

- Santos vence e acaba com jejum de oito jogos na Série A; (2)

- Náutico e Internacional empatam por 1 a 1 no Recife; (2)

- Atlético-PR derrota Vasco e respira no Brasileirão; (2)

- Portuguesa demite técnico Vágner Benazzi após goleada em MG; (2)

- Dores no púbis voltam a preocupar Robinho antes de Pequim; (2)

- Madruga diz que Brasil está preparado para Pequim 2008. (2)


BRASÍLIA/DF:

- Obras do Setor Noroeste começam em dois meses; (3)

- Após um mês de lei seca, número de acidentes cai 30%; (3)

- Justiça nega pedido de pressa no processo contra Luiz Estevão; (5)

- Vans deverão sair de circulação já na segunda, diz Fraga; (5)

- PM apreende 12 armas em cerca de 24 horas De 1º de junho a 7 julho foram retiradas de circulação, apenas pela Polícia Militar, 115 armas de fogo. Foram 95 revólveres, oito pistolas e 12 espingardas; (3)

- O tempo em Brasília – A temperatura ficará entre 11º e 27º. Sol o dia todo sem nuvens no céu. Noite de tempo aberto ainda sem nuvens. (3)


Fonte:
(1)-h ttp://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
(2)-h ttp://www11.estadao.com.br/ultimas/
(3)-h ttp://noticias.correioweb.com..br/
(4)-h ttp://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/index.html
(5)-h ttp://www.emtemporeal.com.br/index.asp?area=1&canal=6


enviada por Tales Faria



20/07/2008 16:34

Samba do banqueiro doido


Tenho um cunhado oftalmologista. Em eventos públicos, quando lhe apresentam como médico e perguntam qual sua especialidade, o Ronaldo costuma dizer que é proctologista. Se dissesse que cuida de olhos, logo viria alguém perguntando o que fazer com a miopia, o cisco, qual o melhor tipo de lente, etc. Mas como diz que é proctologista, ninguém pergunta nada...

Conosco jornalistas, sempre que nos apresentam a alguma pessoa e dizem nossa profissão, logo aparece um qualquer perguntando sobre as coisas todas do noticiário. Como se soubéssemos dos bastidores de tudo. A onda agora é perguntar sobre o caso Daniel Dantas. Aí eu entro em apuros. Um amigo meu até cobrou: por que não escrevo sobre o assunto no blog? Vou dizer a verdade: fico sem saber o que falar desse imbroglio. Estou entendendo muito pouco. Ou quase nada.

Pra mim, quando o Mendonça de Barros falou na "rataiada das teles" - explicação para o fato de os tucanos terem decidido direcionar os leilões para que seus amigos vencessem a licitações - ele estava se referindo ao Daniel Dantas. Mas aí leio hoje o Ugo Braga, meu amigo e respeitável colunista do Correio Braziliense, dizer que não. Que a rataiada para os tucanos era a turma da "Tele Norte Leste, depois Telemar e hoje Oi". Confio mais no Ugo do que minha frágil memória.

Mas nada disso bate com o fato de que Dantas -- pela mão da família Magalhães, da Bahia -- era ligadíssimo ao antigo PFL, hoje Democratas, e aliado dos tucanos. Bem, aí aparece o Greenhalg na história e uma parcela do PT. O homem teria procurado se proteger sob o guarda-chuva de petistas. E tem a coisa do mensalão... Daniel Dantas, ligado a Marcos Valério, estaria também envolvido no esquema de sustentação de parlamentares.

É uma história tão confusa, tão cheia de meandros que ainda não entendi.

Assim como esse caso do delegado Protógenes, que a Folha de São Paulo disse ser parente do Cesar Tralli, da Globo. Ou estou enganado? Meu amigo Vasdconcello Quadros diz que eles são apenas amigos. Sei lá. Só sei que nunca vi uma coisa como aquela de o cara gravar um superior dele, mandar a fita pro Jornal Nacional dizendo que foi ele mesmo quem gravou. Na iniciativa privada, isso dava Justa Causa. Mas na Polícia Federal parece que pode...

Daí porque não entendo esses meandros da PF. Assim como não entendi a história de que o novo diretor é adversário do Paulo Lacerda, que perdeu o poder mas se tornou o supremo chefe da Agência Brasilira de Informações. E que o Protógenes era ligado ao Lacerda, mas quem entrou de férias foi o diretor da PF. Por que? Porque não conseguiu controlar o amigo do diretor da Abin? Não entendo...

Por essas e outras, tenho evitado falar do assunto.

enviada por Tales Faria



20/07/2008 13:52

Crivella fala


Começamos no "Jornal do Brasil" uma série de sabatinas com os candidatos a prefeito do Rio. O primeiro entrevistado - e recebido em almoço na Casa Brasil - foi o senador Marcelo Crivela. Aliás, hoje o melhor colocado nas pesquisas. Eis a entrevista:

Crivella fala de transporte, habitação e da relação com a Universal



RIO - A serenidade da fala e o cálculo das palavras entregam: Marcelo Crivella é o líder na corrida rumo à prefeitura do Rio e, como tal, foi alçado à condição de favorito e de vidraça. Este carioca mal saído dos 50 anos, senador desde 2002 e botafoguense convicto é o nome a ser batido pelos demais candidatos. Seja pela liderança na disputa, seja pelo vínculo com a Igreja Universal, da qual é bispo licenciado, Crivella acostumou-se a ouvir o que chama hiperbolicamente de “baba envenenada do ódio”. Mas as “injúrias” e as “calúnias” não o diminuem, nem o abalam, avisa.

Certo de que os níveis de rejeição – encontrados, sobretudo, na Zona Sul – vão exigir-lhe a superação da resistência religiosa, Crivella reafirma os laços com os evangélicos mas sublinha a intenção de ser um “prefeito de todos”. Acha que o Rio precisa de um político à frente da prefeitura, capaz de reduzir os desfiladeiros que hoje separam o comando da prefeitura dos governos federal e estadual. Afirma que os cariocas vivem numa cidade de dupla face: uma próspera, culta e robusta; outra marginalizada, triste e violenta. Critica o prefeito Cesar Maia e apresenta idéias prontas para problemas como a favelização, a insegurança, o baixo nível da educação e os descalabros na saúde pública do Rio.

Crivella abre a série de entrevistas do JB com os candidatos. Acompanhado de auxiliares, o senador respondeu às perguntas de Marcos Troyjo, Tales Faria, José Aparecido Miguel, Rodrigo de Almeida, André Balocco e Marcelo Migliaccio.

Senador, o Eduardo Paes faz referência a uma associação nova com a união. Onde o senhor se diferencia dessa candidatura, já que ele também tem esse discurso de uma associação com a união?

- Acho que essa integração não pode nascer de um momento pro outro. Na vida política a gente escreve uma trajetória. Enquanto eu era vice-líder do governo, Eduardo recolhia assinaturas para as CPIs todas que incriminaram o Lula e sua família. Me lembro uma vez que, na intimidade, o presidente Lula havia dito que o que mais havia magoado ele era o envolvimento do Lulinha no escândalo. Com humildade o Eduardo pode até construir essa aliança, mas acho que terei mais facilidade, porque é uma coisa mais legítima.

E a Jandira?

- A Jandira também. Embora a política dependa muito da índole, da natureza, da vocação de cada pessoa. O radicalismo acaba atrapalhando.

E o Gabeira?

- O Gabeira de todos é o que encontraria mais dificuldade.

Senador, e o governador? Como estão suas relações com o Cabral?

- Olha, quando terminaram as apurações do primeiro turno na última eleição para governador, quando ele se elegeu me ligou devia ser umas 21h e me disse o seguinte "Crivella, o Lula acabou de me ligar e quer o apoio do Rio de Janeiro. As eleições terminaram. Mas só o apoio se você me apoiar no Rio, se você apoiar a Denise Frossard eu estou fora, vou apoiar o Alckmin". O que eu digo hoje é o que eu sempre defendi, um governo de união e paz pro Rio de Janeiro e com tantos programas que nós temos, precisamos de ajuda, precisamos reconhecer isso. Se eu fosse um desses políticos que partia pra política dos estigmas eu teria apoiado a Denise e empurrado ele pra longe que ainda tinha o monopólio de ser o político do meu Estado que melhor relação tem com o governo federal, até porque o vice-presidente é do meu partido. Não só que nós somos do mesmo partido, mas nós fundamos um partido juntos. Mas eu disse a mim mesmo, eu perdi, mas não quero que o Rio perca. O Rio precisa de um governo de união e paz, portanto construí a parceria e o Cabral, durante os quatro anos no Senado votou contra o governo Lula o tempo todo. Isso tem sido importante pro Rio, os investimentos da refinaria de Itaboraí, o Arco Metropolitano, as obras do PAC nas comunidades, isso é fruto de uma parceria. Na época do governo passado, poucas vezes o Lula veio ao Rio de Janeiro. O Rio precisa, na área municipal, poder desenvolver um outro programa de saneamento e habitação. Há muitas pessoas querendo sair das comunidades. Antigamente costumava-se dizer o seguinte: "Quem mora no morro já vive perto do Céu." Hoje, quem mora no morro vive perto da violência e as pessoas estariam dispostas até a se mudar, o que facilitaria à prefeitura a abrir espaço pra levar serviço público e até replantar a floresta, mas pra isso é condição fundamental nós implantarmos o maior programa de habitação que o Rio de Janeiro já viu. Eu já tive a oportunidade de levar o Roberto Kauffman pra conversar com a Dilma, a coisa esbarrou e o que era necessário pra sair da prefeitura nós não tinhamos. Mas a Dilma ficou empolgada com o projeto. Tenho certeza que um prefeito que faça contrapartida, a coisa anda.

Sobre a sua política habitacional em favelas. Não é a desapropriação de favelas, mas um processo de desfavelização, tirar as comunidades de regiões mais danificadas do ponto de vista urbano e social. O que é exatamente isso?

- A maneira civilizada de você conter o aumento das favelas do Rio de Janeiro é dar oportunidade às famílias de comprar um imóvel. Famílias que tenham renda de 2 salário mínimos, o marido ta empregado e a mulher tá empregada, se nós unirmos o subsídio do governo federal, estadual e municipal e os recursos do fundo de garantia, Sistema Integrado de Interesse Social e o FAT, dá pra financiar casas de 80 mil reais para essas pessoas. Bota aí em habitação popular 800 reais por metro quadrados, nós estamos falando de casa com 100 metros quadrados em áreas infra-estruturadas da União, isso poderia gerar muitos espaços nas comunidades carentes. As pessoas querem mudar e nesse amplo programa, pessoas que quisessem se mudar das comunidades carentes podiam dar suas casas de entrada. E a prefeitura usar o espaço para fazer serviços públicos e até replantar. Não há como se falar em remoção. Essas favelas foram ocupadas da maneira como foi feito o desenvolvimento econômico do Rio, pelos processos políticos históricos dessa exploração do homem pelo homem. Não há como você tirar um bem que uma pessoa tem, porque não lhe foi dado o direito a um programa em habitação. Antigamente não acho que haveria interesse. Mas hoje eu acho, por causa da violência, da criminalidade, das doenças e porque as pessoas estão vendo que é possível morar num condomínio que tem piscina, estacionamento, área verde. Vai ter uma oportunidade de ouro que é o Arco Metropolitano que vai rasgar as áreas rurais da baixada fluminense onde poderão surgir cidades satélites, mas com plano de urbanização

Qual seu pensamento em relação ao transporte público? Nós sabemos que há um ódio muito forte nesse setor. Como você pretende enfrentar isso?

– Essas 300 mil unidades são adjacentes aos grandes eixos viários e ferroviários do Rio. São obras da União, infra-estruturadas, por isso dá pras famílias pobres comprarem. A nível municipal eu vou melhorar o trânsito com parceria da iniciativa privada, implantando um projeto que eu vi na Colômbia. É um sucesso e tem dado certo em outras capitais do Brasil. Da Barra pro Centro nós podemos criar a 3ª linha, cabe no túnel, porque no meio que é a parte mais alta do túnel, colocamos um ônibus em faixa exclusiva. Abrindo a terceira faixa no Zuzu Angel e na faixa do Joá, nós vamos dar uma aliviada e isso nos permite fazer o túnel da Grota Funda, também com parceria da iniciativa privada e duplicar as Américas, da Salvador Allende até o final do Recreio. Faz-se um grande corredor viário com fluxo. A entrada da Barra e saída pela Linha Amarela não é o ideal, mas atende. E o corredor T5 que é uma obra que precisa ser discutida com a sociedade pra ver se o trajeto é aquele mesmo. Estou disposto a discutir com os vereadores e mandar um projeto de lei destinando um percentual do orçamento de investimento da prefeitura para com o governo estadual e federal construir o metrô. Acho que a bancada do Rio, senadores e deputados poderiam colocar todas as emendas de bancadas individuais para a construção do metrô, não só a linha 4 que vai pra Barra, sobretudo fazer o metrô de superfície ligando a central à Zona Oeste. E também o projeto para a Avenida Brasil, pelas pistas centrais com acesso vindo por cima e da Ilha do Governador também. Isso eu já conversei com os empresários e eles já toparam fazer. Passa uma passarela pela Avenida Brasil, por cima, cai num corredor central.

A estação seria coberta?

- Exatamente. Ali o ônibus pára rapidinho. A pessoa já comprou o bilhete integrado com barca, com trem, com ônibus.

E é viável? Politicamente não vai ter um embate desgastante?

- Esse projeto é viável. Por isso que o Rio precisa de um político. O que adianta um prefeito saber calcular uma viga, uma coluna, uma estrada, se ele não souber conversar com a câmara dos vereadores, com o Tribunal de Contas do Município, com o Ministério Público, com a imprensa, com esse dilúvio de ódios e paixões que são as sociedades modernas, sobretudo as tão desiguais quanto a nossa. Por isso que eu digo, o Rio precisa ter político, que tenha gosto pela conversa, tem que ter uma paciência infinita. Pra sentar com os vereadores, pra verificar como se pode aperfeiçoar, aprimorar, discutir, botar pra votar e aprovar. Agora o sujeito que governa como técnico, ele apresenta a solução dele e acredita nela "ou aprovam da maneira que eu estou impondo ou não tem conversa e pronto". Hoje o Rio tem muito ódio, as pessoas não conseguem se entender.

O senhor fala de ódio. Sente-se alvo do ódio de algum tipo de raiva das organizações Globo? Acha que pode atrapalhar sua visão?

- Não sou eu que digo. É a Iuperj. Nesses dias, uma pessoa ligou lá pra casa e me disse assim: "Vou mandar pra você um e-mail de um estudo feito pelo Iuperj, da cobertura das eleições." Cada letra de cada palavra, cada palavra de cada frase, cada frase de cada parágrafo, vem escorrendo a baba envenenada do ódio. Quantas injúrias, quantas calúnias... mas não me diminuíram, não me abalaram. Eu cresci no coração do nosso povo. Pode ver. Eu sou o primeiro nas pesquisas.

E a que você atribui esse ódio desmedido?

– Eu não sei. Eu gostaria que o Jornal do Brasil me dissesse (risos).

Acredita que a campanha vai se desenvolver em alto nível até o fim ou ela vai se tornar uma briga vergonhosa?

- Não haverá expediente dos mais tortos aos mais virulentos, que os meus adversários não empreguem contra nós.

O Aloizio Mercadante está defendendo mexer nos royalties do petróleo. Como você está vendo esse projeto?

- Acho indigno. São Paulo deveria ser a última voz a falar de distribuição dos royalties do petróleo. As riquezas naturais, minerais, humanas, não podem ser tocadas. Essa é uma sem valor. É a ambição de um senador. O Rio de Janeiro diante dos vultosos problemas que tem, como favelização, decadência econômica, crise na violência. Tirar os parvos recursos que o Rio recebe de royalties? Podemos discutir a distribuição entre os municípios, mas tirar do Rio de Janeiro é um absurdo. Eu sei que o que ele fez foi uma maneira de responder a uma lei aprovada na Câmara que dispensa 2% do ICMS para a origem e isso penaliza São Paulo que tem a maior produção. Mas é uma proposta que o povo brasileiro não apoiará. É uma proposta inócua que não vai ter respaldo popular.

O governo pretende usar uma parte dos royalties para um fundo de educação, o senhor concorda com isso?

– Olha, não concordo. Voto contra. Se essas coisas (Petróleo) fossem perdurar pra sempre, tudo bem. Esse bem não vai perdurar pra sempre e o royalty é exatamente pra recompensar um estado que vai findar. O Rio é o segundo arrecadador de Imposto de Renda do país e o 18º a receber esse recurso de volta. Por que mexer no petróleo do Rio de Janeiro? É a única riqueza que nós temos.

A concentração de renda de São Paulo e o empobrecimento Fluminense tem uma grande parcela de culpa na bancada do Rio no congresso ou na dificuldade de articulação no congresso. Você acha que precisa de uma defesa mais enfática e articulada da bancada ro Rio?

– O cidadão não se politiza, a imprensa não denuncia e os políticos sofrem a pressão do grupo do governador, do grupo do prefeito, do grupo do presidente e acabam muitas vezes deixando de se articular em projetos importantes para o Rio de Janeiro. A crise que enfrentamos já não nos permite mais essa gerenciamento político que hoje a prefeitura tem em diversos setores. Se nós continuarmos desse jeito, continuaremos construindo obras como a Cidade da Música, sem grande repercussão para os problemas reais do cotidiano do carioca. É uma obra que tem seu valor, mas sem o impacto civilizatório que o Rio demanda.

Senador, o senhor elaborou uma carta compromisso e nela a gente percebe que o senhor está em primeiro nas pesquisas, grande parte graças ao eleitorado evangélico. Mas essa carta compromisso tem itens opostos a doutrina da igreja. Você teme perder adeptos dentro da Igreja por causa dessa postura que você assumiu?

– A minha posição pessoal e religiosa todos conhecem. O voto é de acordo com essa minha consciência. Agora, a nível de prefeitura do Rio de Janeiro são discussões que não têm a relevância ou a interferência de um prefeito como nos problemas do cotidiano que amarguram a vida dos cariocas. É bem verdade que muitos evangélicos poderão dizer que eu prometi não interferir no carnaval e eu vou dizer a eles que um prefeito não governo segundo suas convicções pessoais. Ele é um servidor do povo e o orçamento público e as ações da prefeitura têm que contemplar a todos. O Rio não suporta mais um prefeito arrogante que imponha suas idéias. O Rio precisa de um prefeito que seja de todos, que chegue a um denominador comum. É o que hoje nós não temos. Os evangélicos terão que entender isso. Espero que os mais maduros mostrem isso aos mais novos.

Em que momento o mito evangélico te ajuda e em que momento ele te atrapalha?

– Os evangélicos são uma classe emergente e extraordinária da sociedade brasileira. Mesmo diante desse confisco que se faz através das taxas de juros altíssimas desse país e de uma carga tributária enorme, os evangélicos se educam, criam seus filhos, trabalham, são modestos no consumo, não consomem por emoção. Estudam a vida inteira. Costumam ir da casa pro trabalho, do trabalho pra igreja, da igreja pra casa e enfrentando toda essa diversidade, constroem igrejas, templos enormes, meios de comunicação pra divulgar as idéias de cristo e seus ideais. Tem muito pra contribuir pra vida política brasileira.

O senhor lê a Bíblia todo dia?

– Todo dia. Considero fonte de inspiração pra vida. Acredito nos conceitos de inspiração da revolução francesa de igualdade, de liberdade e fraternidade, mas sob a ótica cristã. Isto foi o primeiro antes de Locke, antes de Montesquieu, antes de Rousseau, a pregar que os homens deveriam ser todos irmãos e ter o suficiente. Da maneira que esses princípios cristão vão andar comigo a minha vida inteira. Agora na prefeitura, com respeito a gostos populares, a cultura, a diversidade religiosa e sexual. Isso o prefeito tem que respeitar, tem direito de discordar, mas tem que respeitar. E é assim que eu vou separar política de religião.

Você acha que essa postura pode prejudicar seu futuro dentro da Universal?

– Acredito que não. Todos os evangélicos estão torcendo. Querem que um prefeito evangélico seja um prefeito de todos. Não querem um prefeito só dos evangélicos, porque sabem que isso não vai dar certo. O importante é diminuir ou erradicar a dengue, melhor o PIB do Rio de Janeiro, aumentar a participação das famílias de baixa renda, fazer mais turismo. E é bom lembrar que se o prefeito não zela pela educação das crianças, amanhã, esses adolescentes vão descobrir que passaram nove anos no ensino fundamental e não aprenderam. Pra ele não sobrou um concurso público, uma vaga na faculdade, um ensino de qualidade. Hoje não garantimos, às nossas crianças, um ensino de qualidade.

E quem é o seu conselheiro nessa área de educação?

– Tenho vários. A minha esposa é educadora, mas eu tenho conversado muito, ouvido muito e lido muito os pronunciamentos de Cristovam Buarque, muito preocupado com a educação infantil. Agora mesmo votamos o FUNDEB, depois de um longo tempo de espera. Tenho também conversado com o sindicato de professores do Rio de Janeiro. Acho que temos que ter um tipo de avaliação, que nos garanta que esses meninos e meninas estão tendo uma boa educação. Eu fiz uma tabela, e pedi a vários procuradores do município para verificar se é possível aplicá-la sem romper a barreira da lei de responsabilidade fiscal. Os números me parecem modestos. Os professores com 30, 35 anos de serviço, no topo da atividade, 36 horas de aula por semana, receberiam em torno de R$ 5 mil, R$ 6 mil, o que acho um salário adequado para tanta devoção. Se puder, será um investimento que farei, sem hesitação. Hesitaria de construir uma nova Cidade da Música ou um novo Engenhão.

Aprovação automática no Rio

- ... Se apenas nos ilude, mostrando nas estatísticas números de aprovação mais favoráveis. Acho que temos que ter um tipo de avaliação, que nos garanta que esses meninos e meninas estão tendo uma boa educação. Eu fiz uma tabela, e pedi a vários procuradores do município para verificar se é possível aplicá-la sem romper a barreira da lei de responsabilidade fiscal. Os números me parecem modestos. Osmídia). Mas a Fiocruz, os pesquisadores trabalham com números de 900 pessoas mortas.

O que o prefeito Crivella pretende fazer pelo turismo no Rio?

- Queria fazer com que o Rio todo se comprometesse com o corredor turístico. Uma legislação moderna, discutida e votada com a sociedade e aprovada na Câmara Municipal, do aeroporto internacional à última praia da orla, e os acessos aos pontos turísticos (Maracanã, Cristo, Pão de Açúcar, Teatro Municipal). Nosso asfalto, nossas calçadas, a iluminação pública, a arborização, a coleta de lixo, a segurança (com câmeras) fosse primorosa. É preciso que todo carioca se comprometesse e entendesse que essa ação política é para o bem de todos. Não só daqueles que vivem ali, mas sobretudo daqueles que vão se beneficiar da arrecadação de impostos para resolver problemas do seu interesse, da urbanização, da saúde e da educação. Podemos fazer para toda a orla, o que fazemos em Santa Teresa e que também é muito usado na Europa, que é o bed and breakfast. A prefeitura organiza quartos disponíveis na casa das pessoas nas operadoras de turismo, tendo quarto e café da manhã. Por exemplo, minha mãe, que mora na Rua Francisco Otaviano. Ela tem um quarto vago no apartamento. Sou filho único, me casei e fui embora. Minha mãe poderia colocar à disposição aquele quarto para uma senhora, do interior de São Paulo, Espírito Santo... Que viesse ocupar o quarto, tivesse um café da manhã por uma diária de R$ 150. A nossa rede é de quatro, cinco estrelas. Portanto esse turismo de aposentados, de senhores e senhoras do interior vão para outras cidades. Isso poderia ser uma revolução, se nós também tivéssemos uma política para que os hotéis do Rio de Janeiro tivessem grandes shows, como é em Las Vegas. Espetáculos que chamassem a atenção. Acho que o Rio tem que ser uma cidade que de dia trabalha duro e à noite tem que se transformar numa festa. Precisa para que a cidade cresça. Senão, o que vai crescer é prostituição, tráfico de drogas, criminalização, roubo de carros, furtos, assaltos, seqüestro, aliás seqüestro nem tanto. As estatísticas, as últimas que vi, de 96, o Rio teve 311 mil crimes registrados, 112 mil lesões corporais dolosos, mais de 80 mil furtos, 60 mil assaltos, 50 mil carros roubados. Isso é um absurdo.

O que o senhor acha do prefeito César Maia?

- Acho que o prefeito na sua trajetória política sofreu um momento duro, difícil. O prefeito se candidatou a reeleição, mas não para ficar quatro anos. O prefeito queria ficar dois e ser candidato a presidente da república nas últimas eleições. O que ocorreu é que, com todo o apoio do seu partido e indo bem nas pesquisas, teve uma intervenção federal na saúde do Rio. E naquele momento ele acabou sofrendo um revés na sua popularidade e não pôde disputar aquele pleito. Acho que isso o marcou profundamente, com reflexos na administração. O Pan foi importante, foi um esforço que devemos considerar, a Cidade da Música também pelo esforço, que eu não faria nesse momento (há prioridades diante dos graves problemas que a gente atravessa). Mas o prefeito que o Rio precisa, já não é mais o prefeito dos grandes monumentos, é um prefeito que cuide do povo, de como as pessoas estão morando, que cuide da saúde dele, como está a educação dos filhos. E esse prefeito ultimamente nós não temos tido. Mas não quero discutir uma página virada, prefiro discutir sobre o futuro.

Há uma queixa sobre o crescimento das favelas na Zona Sul especificamente. O senhor pretende conter esse tipo de expansão?

- Vou, e a maneira civilizada é com um amplo programa de habitação, que nós vamos fazer. Vamos tirar do papel o projeto que já apresentei à Dilma com o Roberto, que teve o entusiasmo e o aplauso do governo federal, o maior programa de habitação para pessoas que tenham renda de até dois salários mínimos, renda familiar, poder se candidatar e comprar. Essa é a maneira correta de diminuirmos o processo de favelização do Rio de Janeiro. Podem ter certeza de que isso vai funcionar. Deveremos assim retirar as famílias que moram em área de risco, as que se encontram acima da cota 100, dando a elas dignidade e condição de morar. Eu sempre costumo contar a história de como começam as favelas no Rio. Elas começam com a volta dos soldados da guerra do Paraguai. O ensino sistematizado diz que é a volta dos soldados das volantes dos Canudos. Mas se vocês lerem o livro do professor Marco Antonio Flores, que é um coronel do exército já aposentado chamado Ecos da guerra do Paraguai - chamas da nossa nacionalidade - ele com fotografia e farta documentação mostra que D. Pedro II, em novembro de 1864, assina num sábado e publica na segunda-feira, um decreto no no Jornal do Commercio. A lei chamava-se Voluntários da Pátria, que entre outras coisas oferecia oportunidade aos escravos de ganharem alforria se lutassem na guerra. A guerra durou cinco anos, o primeiro navio levando escravos saiu de Campos, um galeão. Cinco anos depois, eles chegam ao cais do Valongo, e encontram alforria sem trabalho e moradia. E é dado a eles a oportunidade a autorização de improvisar suas casas no Morro da Providência nas partes baixas. Em 1894, na época de Prudente de Moraes, as volantes de Canudos vêm e ocupam as partes altas do morro. 137 anos se passaram dessa ocasião, formou-se um paradigma. Se o Estado manda para a favela, a iniciativa privada faz a mesma coisa. Então vc traz para cá um monte de gente, do nordeste e do interior, com salário muito baixo e onde o sujeito vai morar? No morro, trocador, motorista, pedreiro, carpinteiro, servente, vendedor, babá, lavadeira, empregada o que for. Ganhando o suficiente pra se alimentar (senão não tem força para trabalhar), pra se vestir e pra morar? Olha, vai improvisando uma casinha no morro. E os programas de habitação? Não tínhamos. O dinheiro pro transporte? Não tinha. Criamos uma sociedade extremamente desigual. Acho que agora com esse nível de violência enorme, sem precedente, e desgraçadamente crescente, nós precisamos nos reencontrar com o passado e oferecer um programa de habitação do tamanho da necessidade do Rio de Janeiro. Já existe? Já. Quem fez, foi o Crivella? Pensem bem, nós somos a terra do calcário e da argila, matéria-prima de todos os cimentos, do plástico, do verniz, o aço. Aliás, no Rio de Janeiro tem uma outra coisa, que agrava a nossa infâmia. O cimento do Rio é feito com escória de alto-forno. 85% de um saco de cimento é escória de alto forno. E nós com toda a dádiva da natureza não encontramos força na nossa solidariedade para criar um programa de habitação que responda a essa demanda. E estamos aqui com as essas favelas. Eu disse ainda, no passado foi a nossa maior vergonha, hoje é o nosso desafio, amanhã... reflorestar, ou urbanizadas serão um marco eterno da nossa solidariedade.

E a Baía de Guanabara, senador? Um programa para despoluir praias e lagoas a princípio passa pela Cedae, que é estadual. Tem algum programa específico?

- O Rio precisa de um prefeito político. O prefeito do Rio tem uma liderança natural junto aos prefeitos da região metropolitana que circuncida (circuncida, não). Circunda! A nossa baia. Se tiver algum prefeito técnico dificilmente conseguirá chamar para uma conversa todos os demais prefeitos e chegarmos a um acordo. Fazermos o que votamos no Congresso e que o Rio devia liderar que é o consórcio dos municípios. Eles têm todo o apoio da legislação que acabamos de votar no Congresso. Se nós chegarmos no ministro do planejamento, no ministro da fazenda, sobretudo no presidente da república e no vice-presidente com um documento consolidando um consórcio de municípios da baixada, que circundam a Baía de Guanabara, teremos uma força extraordinária.

O que o senhor pretende fazer com o programa saúde de família?

- Ampliar, quero elevar para 70% de cobertura da população do Rio. Quero derrotar isso religiosamente, não devia nem usar o termo. Por exemplo, você vai na comunidade carente, existem pessoas subnutridas mas obesas. Um exame revela que a taxa de açúcar está conduzindo para uma diabete. Se você furar o pé vai abrir uma escara, não vai cicatrizar, seu membro vai mumificar e você vai ser amputado. O Rio é campeão de pé diabético. Quando você for amputado não há prótese. Vai ser confinado a uma cadeira de rodas. Isso tem que ser dito. Tem que ser anotado, para dizer se a pessoa está fazendo exercício ou diminuiu o açúcar. Botar o cadeado na porta antes de arrombarem a porta. O Cesar Maia disse que esse programa não deu certo por causa da violência, que os profissionais de saúde não conseguem entrar nas comunidades. Eu pergunto a você: os índices de violência de Niterói são menores que os nossos? Não saio. As comunidades carentes de Niterói estão tomadas pelo narcotráfico. Lá não tivemos dengue, porque 70% da população é coberta pelo Saúde da família. O problema é que a prefeitura tem dificuldade de se relacionar com o governo federal, de fazer as parcerias. Sobretudo na área da saúde. Na intervenção devolvemos ao governo federal o Cardoso Fontes, o Hospital de Ipanema, o Andaraí e o Hospital da Lagoa. Um grande alívio no orçamento. Melhorou? Não. Minhas emendas parlamentares, todas foram liberadas. Simplesmente porque montei no primeiro ano que fui para o senado um manual: o manual do prefeito. Imprimi e mandei para os 92 prefeitos do Rio: Manual do prefeito - como obter recursos do governo federal. E a partir daí me dediquei a isso. A defender nos momentos de injustiça, mas também cobrar os recursos do Rio. Se cobrei como senador, mas agora como prefeito. Estou animado e vou até o ultimo momento nessa luta. Fazendo um apelo ao Jornal do Brasil, para que mantenha o nível ético e cultural do jornalismo do Rio de Janeiro.

Quem passa para o segundo turno?

- Eu acho que a Jandira Feghali ou a Solange Amaral odm chegar. Tenho dito isso em público.


O senhor vai poder usar o Lula, afinal?

- Tem esse entendimento. O sujeito que é filiado a um partido tem que aparecer no partido dele. O presidente não vai aparecer em lugar nenhum. Não aparece com Molon, nem com Jandira, nem com Crivella, muito menos com Eduardo.

O senhor tem um mapeamento da cidade onde o senhor encontra maior resistência?

- Zona Sul. Onde vende O Globo.

O senhor vai insistir em derrubar essa resistência ou vai esquecer a Zona Sul?

- De agosto do ano passado até hoje eu fiz mais de 150 reuniões na casa de pessoas da Zona Sul. Isso baixou a resistência lá. E minha esposa tem feito também, devotadamente. E ficamos surpresos com a boa vontade deles. Mesmo assim é pouco para representar alguns pontos.

O senhor é bispo ou não é bispo?

- Sou e vou morrer. Sou licenciado. Eu também sou engenheiro. Tinham que botar o ex-bispo e o ex-engenheiro, ex-professor, ex-militar, fui primeiro-tenente do exército. Muitas de nossas empregadas são da igreja e relatam casos de pessoas que saíram da marginalidade ou que agüentam o sofrimento da vida miserável graças a igreja, eles falando isso.

Como o senhor responde a críticas sobre exploração da miséria, da esperança dos fiéis, da riqueza de alguns pastores?

- Não há, eu declarei meu imposto de renda: dois carros e um dinheiro que tinha no banco, deu R$ 200 mil. E dentre todos os bispos e pastores sou um dos que mais têm. E já até pedi a eles, todos, que um dia fizéssemos um site e colocássemos o imposto de renda de nós todos. O que nos fazemos é com idealismo e renúncia. Para a África levei US$ 8 mil. Quando saímos de lá, nossa igreja tinha em dinheiro o que representava 10 milhões de dólares. Infinitas propriedades, incontáveis automóveis, catedrais que construí lá, só são maiores algumas do Rio e São Paulo. Fui com 10 malas voltei com nove e uma africana que veio comigo e para a minha alegria este mês está se formando na Estácio de Sá no curso de gastronomia. Então não há isso. Mas a igreja tem avião? Tem, já recolheu oferta no mundo inteiro. Para trazer do interior para cá tinha que trazer do interior. Me lembro que quando prenderam os 10 milhões do avião da igreja com os pastores e suas esposas. A Policia Federal, ali, eles morderam a língua. Bem feito. Achavam que queríamos trocar por dólar, para enriquecer o Macedo. Não era verdade. Não tem como transportar esse recurso para são Paulo. Os bancos não aceitam esse deposito em notas pequenas para contar aquele dinheiro todo e mandar para uma agencia em São Paulo. A PF guardou todo o dinheiro no meio circulante do Banco Central, depois a Justiça determinou que fosse depositado num banco em que corresse juros e poupança. Foi difícil encontrar um banco que aceitasse aqueles recursos como deposito judicial. Quando encontraram, o banco não quis se responsabilizar pelo transporte. Foram então a Confederal, empresa do deputado Eunício. Ele disse que transportava, 1 milhão por carro, 10 milhões, 10 automóveis. Preço R$ 300 mil, a Polícia Federal não tinha como pagar. Eu disse, vocês falaram tanto e estão provando na carne e morderam a língua. Tiveram que chamar bombeiro, aparato, um monte de carro, e quando chegaram na caixa econômica passaram um dia e uma noite contando as notas pequenas. Infelizmente, pedi a eles para não colocarem o dinheiro na mesa para fotografar. Infelizmente ainda temos essas coisas de Banana Republic.

O senhor vai apoiar a parada gay do Rio, como um evento do calendário da cidade?

- A prefeitura dará todo o apoio para que a parada gay ocorra com os serviços públicos de que ela necessita. É uma expressão da diversidade sexual de pessoas que têm que ser respeitadas. Assim como peço que respeitem também a minha opção heterossexual e a minha opinião de achar que o melhor arranjo familiar que a evolução humana encontrou é homem e mulher, mas respeito aqueles que pensam diferente.


enviada por Tales Faria



16/07/2008 11:52

OPERAÇÃO SATHIAGRAHA: RELATÓRIO REMETIDO PELOS DELEGADOS AO

JUIZ FEDERAL DE SANCTIS EM 23 DE JUNHO DE 2008.

Este post foi extraído da edição de hoje do "Ex-Blog do Cesar Maia":

São 210 páginas com as transcrições de interceptações
telefônicas, de e-mails entre Opportunity, políticos e jornalistas e anotações do juiz de próprio punho. Documentos que estão sendo recebidos pela imprensa de forma fatiada. São cinco arquivos. Clique e espere o contador de 60 segundos. Depois faça o download.

http://www.hdd.pt/download/1059941241/PF_1_Santiagraha_p_001_a_042. pdf.html

http://www.hdd.pt/download/1291468134/PF_2_Santiagraha_p_043_a_084. pdf.html

http://www.hdd.pt/download/1385546086/PF_3_Santiagraha_p_ 085_a_126. pdf.html

http://www.hdd.pt/download/1037551575/PF_4_Santiagraha_p_127_a_172. pdf.html

http://www.hdd.pt/download/1247392179/PF_5_Santiagraha_p_ 173_a_210. pdf.html

enviada por Tales Faria



16/07/2008 11:30


SINOPSE DA IMPRENSA


Da “Coluna do Honorato”, news letter eletrônica de Carlos Alberto Honorato da Silva – karlos.honorato@terra.com.br


POLITICAS:

- Lula apóia nova lei contra abuso. O presidente do STF, Gilmar Mendes, recebeu ontem apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tornar mais rigorosa a lei sobre abuso de autoridade. Eles discutiram o assunto ontem em encontro no Palácio do Planalto, Lula teria considerado como exemplo recente de abuso a operação da Polícia Federal na casa do empresário Elke Batista, sexta-feira passada.; (1)

- Câmara vota nesta quarta reajuste do funcionalismo público; (3)

- Ex-secretários de Rosinha são presos por corrupção. O Ministério Público estadual e a Polícia Civil do Rio prenderam 12 integrantes de um esquema que desviou R$ 62 milhões dos cofres da Secretaria de Saúde para ONGs durante o governo de Rosinha Garotinho. Entre os presos, os ex-secretários Gilson Cantarino (Saúde) e Marco Antonio Lúcidi (Trabalho e Renda); (1)

- PPS pede impugnação da candidatura de Paulo Maluf; (3)

- Sob pressão Senado desiste do novo trem da alegria. Diante da repercussão negativa, o Senado desistiu ontem da contratação de até 388 indicados sem concurso público. A idéia era criar 97 vagas com salário de R$9,97 mil - valor que poderia ser dividido em até quatro partes para acomodar mais contratados; (1)

- Tarso e Mendes selam pacto para garantir direitos individuais; (2)

- Delegado que prendeu Dantas, Nahas e Pitta pede afastamento do caso; (3)

- Tarso nega motivação política em saída de Protógenes Queiroz; (2)

- STF nega habeas-corpus aos dois últimos presos da Satiagraha; (2)

- Documentos em parede falsa. Policiais federais descobriram uma parede falsa na cobertura de Daniel Dantas, em Ipanema, com documentos secretos gravados em CDs e DVDs; (1)

- Polícia queria prender Eike. A PF pretendia pedir à Justiça a prisão de Eike Batista, na operação que investiga licitação no Amapá. Mas desistiu por causa do vazamento da investigação. (1)


NACIONAIS:

- Dólar a R$ 1,58 rompe piso da máxi de 99. A entrada de investimentos estrangeiros e o interesse na oferta de ações da Vale fizeram com que o país recebesse mais dólares ontem. Com isso, a moeda fechou a R$ 1,587, o menor nível desde 19 de janeiro de 1999, quando houve a maxi-desvalorização; (1)

- Brasil deve superar China na produção de frango em 2008—Abef; (2)

- Toyota investirá até US$700 mi em nova fábrica no Brasil; (2)

- Consumidores desconhecem novas regras bancárias, diz Procon. Pesquisa mostra que correntistas podem estar gastando mais do que antes, por não conhecer mudanças; (2)

- Exportação diversificada reduz impacto da crise, diz Meirelles. Segundo presidente do Banco Central, menor participação dos EUA na pauta de exportações ajuda o Brasil; (2)

- Bovespa aproveita inversão em NY e fecha em alta. Após cair mais de 3% no começo do dia, Bolsa de SP consegue se recuperar e sobe 0,48% no fechamento; (2)

- Pesquisadores pretendem testar vacina contra dengue em 2009; (3)

- PM erra e mata mais um inocente. PMs mataram mais um inocente no Rio, num tiroteio, anteontem, na Avenida Brasil, Em São Cristóvão. Luiz Carlos Soares da Costa, de 36 anos, funcionário do GLOBO, foi morto no confronto entre quatro policiais do 22º BPM (Maré) e um ladrão que o havia seqüestrado em Bonsucesso. Uma emissora de TV flagrou cenas em que a vítima é arrastada sem cuidado. O secretário de Segurança, José Beltrame, aprovou a ação: “Em nenhum lugar do mundo a polícia vai receber tiros.” (1)


INTERNACIONAIS:

- Hezbollah prepara festa por troca de presos com Israel. Grupo xiita considera o acordo uma 'vitória divina da resistência' libanesa; (2)

- Farc se recusam a negociar com Álvaro Uribe. Guerrilha diz que governo não pode solucionar crise e pede reunião com Ortega; (2)

- EUA dão tratamento desumano aos imigrantes ilegais, diz estudo. Relatório indica 'inúmeras violações' dos direitos humanos em instações da polícia americana para estrangeiros; (2)

- EUA pedem que Rússia 'justifique críticas' ao escudo antimísseis. Pentágono reitera que interceptores que Washington pretende criar na Polônia não serão usados para ataque; (2)

- Pesquisas mostram vantagem de Barack Obama nos EUA; (2)

- Obama fará discurso pelo fim da guerra no Iraque; (2)

- Irã tem mísseis capazes de atingir a Europa, dizem EUA. (2)


ESPORTES:

- Milan concretiza negociação e tira Ronaldinho do Barcelona. Valor da transação pode chegar a R$ 65 milhões; jogador assina com o clube italiano por 3 temporadas; (2)

- São Paulo acerta a contratação do zagueiro Anderson. Com a chegada do atleta, clube pode vender Alex Silva e Miranda; (2)

- PALMEIRAS. Criticado, Valdivia recebe o apoio do treinador do time. Luxemburgo afirma que o meia não pode ser o único culpado pela fase ruim; (2)

- Emerson Leão vai trabalhar em time do Catar. Técnico brasileiro aceita proposta milionário do Al-Sadd e deixa o Brasil no final deste mês; (2)

- BRASILEIRÃO. Cuca tem problemas para escalar Santos contra o Figueirense. Além do goleiro Fábio Costa, que ficará cerca de 20 dias afastado, time pode ter outros cinco desfalques; (2)

- Diego Hypólito tem dúvida sobre provas que disputará. Prioridade é a prova do solo, na qual é favorito ao ouro, mas ele também pode entrar na disputa do salto. (2)


BRASÍLIA/DF:

- UnB divulga aprovados em primeira chamada Os nomes dos 2.104 novos alunos já estão disponíveis no site do Cespe. Os calouros deverão efetuar o registro de matrícula nos dias 21 e 22 de julho; (3)

- Restritas contratações sem concurso no DF Lei distrital foi declarada parcialmente inconstitucional, e situações em que são permitidas contratações temporárias diminuíram de sete para duas; (3)

- Procon-DF autua lojas com preços diferentes para mesmo produto; (3)

- Temperatura pode cair a 9ºC na madrugada desta Quarta; (3)

- O tempo em Brasília – A temperatura ficará entre 9º e 24º. Sol com algumas nuvens. Não chove. (3)

Fonte:
(1)-h ttp://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
(2)-h ttp://www11.estadao.com.br/ultimas/
(3)-h ttp://noticias.correioweb.com..br/
(4)-h ttp://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/index.html
(5)-h ttp://www.emtemporeal.com.br/index.asp?area=1&canal=6


enviada por Tales Faria



14/07/2008 10:05

Mauro Santayana fala em impeachment do presidente do Supremo

Deu hoje no JB:



O impeachment como remédio

A evocação é inevitável. Quando o nome do advogado-geral da União, Gilmar Mendes, foi encaminhado ao Senado, para ocupar uma das cadeiras do STF, muitos manifestaram estranheza. O libelo mais forte coube ao professor Dalmo Dallari. Em artigo publicado antes da votação, o mestre paulista advertiu que, aprovado o nome do advogado-geral da União, estariam "correndo sério risco a proteção aos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional". Dallari lembrou que Gilmar, derrotado no Judiciário, "recomendou aos órgãos do Poder Executivo que não cumprissem as decisões judiciais". Outro caso, lembrado por Dallari, foi o de que a Advocacia-Geral da União, cujo titular era Gilmar, havia pago R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o atual presidente do STF era um dos proprietários, a fim de que seus subordinados ali fizessem cursos.

Advogados, como o ex-presidente da OAB Reginaldo de Castro, e alguns jornalistas, entre eles este colunista, consideraram que faltavam ao indicado títulos para a alta posição. O fato de haver freqüentado universidades estrangeiras não era recomendação suficiente. Inúmeros ostentam este mesmo título. Há, mesmo, os que se fizeram professores em renomados centros universitários europeus e americanos, e nem por isso foram convocados à alta magistratura nacional. Sua carreira era relativamente curta. A muitos incomodava o comprometimento com o governo Collor – a quem serviu, na Secretaria da Presidência, até o impeachment – e com o de Fernando Henrique. Com Itamar no Planalto, o senhor Gilmar Mendes se transferiu para o Poder Legislativo.

Cabia ao advogado, no governo de Fernando Henrique, examinar e redigir os projetos de lei e medidas provisórias. Algumas dessas medidas foram consideradas inconstitucionais e, com ligeiras modificações, reeditadas. O mais grave é que ele se encontrava subjudice, processado por improbidade administrativa – conforme a denúncia de Dallari – quando seu nome foi levado à Comissão de Justiça do Senado para ocupar a vaga no Supremo. O fato foi comunicado à Câmara Alta, mas o rolo compressor do governo quebrou a resistência da maioria dos senadores. Ainda assim, seu nome foi recusado por 15 parlamentares. Normalmente não há tão expressiva manifestação contrária às indicações presidenciais para o STF. A Associação dos Magistrados Brasileiros também se opôs à sua nomeação. Mais ainda: o Ministério Público questionara, antes, a presença de Gilmar, que pertencia a seus quadros, na Advocacia-Geral da União.

Permito-me citar trecho de artigo que publiquei no Correio Braziliense, no dia mesmo em que o nome do advogado Gilmar Mendes foi levado à Comissão de Constituição e Justiça do Senado:

"De um juiz se pede juízo. O advogado-geral da União excedeu-se no desempenho de suas funções, e excedeu-se também nas relações necessárias com o Poder Judiciário e com o Ministério Público. A firmeza na defesa dos atos governamentais, e das teses jurídicas em que eles possam sustentar-se, não permite o desrespeito para com os que tenham posição diferente. O senhor Gilmar Mendes poderia criticar, com alguma razão, o desempenho do Poder Judiciário, desde que ele atribuísse a deficiência ao acúmulo de leis confusas e conflitantes, situação constatada por todos os magistrados, e o fizesse em termos serenos. Mas se esqueceu o aclamado jurista de que tais leis, em sua maioria, procedem da incompetência do próprio Poder Executivo, a maior fonte legislativa destes últimos anos, com suas medidas provisórias, portarias, decretos, normas – e memorandos". Até aqui o texto de maio de 2002.

Quando Gilmar, como advogado-geral da União, recomendou aos órgãos públicos que não cumprissem ordens judiciais, excluiu-se eticamente do direito de pertencer ao Poder Judiciário.

Apoio na Constituição

Soube-se ontem à noite que um grupo de cidadãos de São Paulo se articula para pedir ao Senado Federal o impeachment do ministro Gilmar Mendes, de acordo com o artigo 39, item V da Constituição Federal, combinados com os artigos 41 e 52, II, da Carta Maior. Conforme dispõe a Constituição, qualquer cidadão, de posse de seus direitos políticos, pode solicitar o impeachment de um membro do Supremo.

enviada por Tales Faria



14/07/2008 10:00


SINOPSE DA IMPRENSA


Da “Coluna do Honorato”, news letter eletrônica de Carlos Alberto Honorato da Silva – karlos.honorato@terra.com.br


POLITICAS:

- Lula pode anunciar abertura do mercado indonésio para carne. Presidente chega nesta sexta a Jacarta e pode fechar acordo para abrir mercado, dizem fontes; (2)

- Lula assina acordo de cooperação em biocombustíveis com Indonésia; (5)

- Pressionado, Garibaldi cancela novos cargos em gabinetes. Decisão de criar esses cargos, sem concurso público, foi tomada na 4ª, numa reunião da Mesa Diretora; (2)

- Governo anistia demitidos no governo Collor. Comissão responsável pelos casos pretende analisar todos os processos até janeiro de 2009. Mais de 14 mil servidores dispensados nos anos 1990 pediram para voltar ao trabalho. Associações de ex-servidores estimam que cerca de 40 mil pessoas deixaram a administração pública naquele período; (1)

- Secretário-geral do PDT é assassinado no Rio; (2)

- PF investiga lobby de Dantas no Congresso. Investigadores da Operação Satiagraha apuram interesse do banqueiro na medida provisória que trata de negócios portuários. Três integrantes de empresa de contêineres controlada por Dantas foram presos na semana; (1)

- Daniel Dantas espionou juízes paulistas, afirma PF; (2)

- Genro diz que investigação da PF não protegerá ninguém; (3)

- Tarso Genro diz que será 'difícil' para Dantas provar inocência. (5)


NACIONAIS:

- Agronegócio deve garantir saldo comercial em 2008. Superávit do setor deve atingir US$ 52,2 bi este ano, quase o dobro do projetado para o total da balança; (2)

- Cresce peso do BNDES para produção industrial. A participação do BNDES no investimento para aumentar a capacidade produtiva da economia vem crescendo ano a ano. O índice subiu de menos de 7% em 2006 para 8,3% do total investido no País em 2007, devendo fechar 2009 acima de 10%; (1)

- Receita disponibilizara segunda consulta ao lote residual do IR 2004; (3)

- Mega-Sena deve pagar R$ 21 mi na quarta-feira. Nenhum apostador acertou as dezenas 06 - 15 - 19 - 24 - 31 – 32; (2)

- Governo eleva meta de exportações no ano para US$ 190 bi. Exportações crescem 23,8% ano, quase metade da expansão das importações no período, de 50,6%; (2)

- Varig e American Airlines vão vender passagens conjugadas. Com acordo, passageiros poderão voar com apenas um bilhete em vôos feitos em parceria pelas companhias; (2)

- Embraer firma venda de 5 jatos com chinesa Kun Peng Airlines; (2)

- A Polícia Rodoviária Federal (PRF) fará correções no edital do concurso para 340 vagas de policial rodoviário, cuja prova foi suspensa em dezembro, e irá reabrir as inscrições para novos candidatos; (3)

- Educação abre 10.923 postos neste semestre. Salário inicial é de R$ 5.549; (3)

- Cobrança do INSS dispara com ação da Super-Receita. Criada há pouco mais de um ano, a Super-Receita gerou uma fiscalização mais intensa para cobrança da contribuição previdenciária. A reconhecida eficiência da antiga Receita Federal em notificar empresas com base em cruzamento interno de informações está sendo aplicada para fiscalizar a "contribuição ao INSS". De janeiro a maio deste ano a Receita emitiu em todo o país 128 mil intimações, cobrando R$ 37,36 bilhões em contribuições previdenciárias declaradas e não pagas; (1)

- Com Lei Seca, número de mortes em acidentes cai 57% em SP; (2)

- Jovem paranaense morta por PM's é velada Familiares e amigos manifestaram sua revolta durante o velório da jovem. Rafaele foi morta por engano por policiais militares durante a madrugada de Domingo. (3)


INTERNACIONAIS:

- Farc: preso seqüestrador. Considerado um dos maiores seqüestradores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Guillermo Antonio Graciano, conhecido como Tio Pancho, foi preso pela polícia colombiana. Ele é acusado de ser o chefe de pelo menos 88 seqüestros no país; (1)

- Evento da mídia trata Obama como favorito; (2)

- Campanha de Obama arrecada US$ 30 milhões em junho; (2)

- Líbano anuncia governo de unidade nacional. Hezbollah ganha poder de veto no gabinete; destino de armas da guerrilha opositora entra em discussão; (2)

- Se atacado, Irã destruirá Israel, diz autoridade; (2)

- Moscou acusa diplomata britânico de espionagem. Acusação contra alto funcionário de Agência comercial de Londres em Moscou acirra tensão diplomática; (2)

- Crise econômica atrasa mudanças em Cuba, diz Raúl Castro. Presidente cubano afirma que má fase da economia global impede o aumento dos salários dos cubanos; (2)

- Após crise, Chávez e Uribe anunciam nova etapa nas relações. Presidentes da Venezuela e Colômbia superam impasse diplomático que já durava oito meses; (2)

- Aumentam crimes graves no Plano Piloto. A análise comparativa entre os primeiros quadrimestres de 2007 e 2008 revela que continua em curva ascendente número de ocorrências de seqüestros relâmpagos, homicídios e roubos em comércios de Brasília; (1)

- Equador se nega a reatar relações diplomáticas com Colômbia; (2)

- Mais de 10 mil são removidos após novos incêndios na Califórnia. Fortes ventos e altas temperaturas prejudicam trabalhos dos bombeiros no norte do Estado; (2)

- Rússia e China vetam na ONU sanções ao Zimbábue. Resolução redigida pelos EUA recebeu nove votos a favor, uma abstenção e cinco contra; (2)

- Sudão teme reação violenta ao indiciamento de presidente. Organizações internacionais reforçam a segurança; líder sudanês pode ser processado por genocídio em Darfur. (2)


ESPORTES:

- Flamengo bate Vasco e dispara na ponta do Brasileirão; (2)

- Caio Júnior pode trocar Flamengo pelo futebol árabe; (2)

- São Paulo vence Palmeiras e recupera moral no Brasileirão. André Dias e Éder Luís marcaram os gols dos 2 a 1 que colocam o time tricolor próximo dos melhores; (2)

- Após sair perdendo, Santos arranca empate com o Botafogo. Time carioca fez dois gols no primeiro tempo; Kleber Pereira sai do banco e garante o 2 a 2; (2)

- Sport vence Náutico nos Aflitos e sobe na classificação; (2)

- Ronaldinho Gaúcho intensifica treinos para entrar em forma. Jogador tenta perder os 'quilinhos a mais' para 'estar bem' na apresentação da seleção para os Jogos de Pequim. (2)


BRASÍLIA/DF:

- Uma granada do Exercito Brasileiro foi encontrada por catadores, por volta das 14h30 deste domingo (13/07), no lixão da Estrutural; (3)

- Consumo de água por morador no Lago Sul é o maior do país; (3)

- Cerca de 30 mil vigilântes do DF são clandestinos; (3)

- Temperatura deve subir nesta semana em todo o DF; (3)

- Brasiliense tenta, na Justiça, driblar a lei seca; (3)

- Aulas da UnB no Gama e em Ceilândia começam em agosto em locais provisórios; (3)

- O tempo em Brasília – A temperatura ficará entre 9º e 24º. Sol com algumas nuvens. Não chove. (3)


Fonte:
(1)-h ttp://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
(2)-h ttp://www11.estadao.com.br/ultimas/
(3)-h ttp://noticias.correioweb.com..br/
(4)-h ttp://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/index.html
(5)-h ttp://www.emtemporeal.com.br/index.asp?area=1&canal=6


enviada por Tales Faria



13/07/2008 16:13

Guerra no Ministério da Saúde


Tem uma crise nascendo (ou já estabelecida) no Ministério da Saúde. A secretária-executiva da Pasta, Márcia Bassit, bateu de frente com o secretário nacional de Saúde, José Noronha. O curioso é que Noronha é considerado o grande amigo do ministro José Gomes Temporão e homem-forte do PMDB no ministério. Aliás, foi ele quem sugeriu o nome de Temporão para o governador Sérgio Cabral apresentar ao presidente Lula. Mas Noronha perdeu a queda de braço com dona Márcia.


enviada por Tales Faria



13/07/2008 15:59

Saudades de Biondi

Vai ai um belo texto de ALCEU LUÍS CASTILHO no site "Repórter Social" (endereço ao lado neste blog)

A fome no Brasil e no mundo, por Aloysio Biondi

Aloysio Biondi nadava contra a corrente. Em 2000, participava de um curso de Jornalismo quando o jornalista Aluízio Maranhão o citava como uma das referências em sua formação. Perguntei por que, então, Biondi estava fora da grande imprensa – naquela época, assinando seus artigos cirúrgicos na revista Bundas, dirigida pelo Ziraldo. A resposta foi mais ou menos assim: “É que a visão econômica que ele defende não condiz mais com o tipo de cobertura atual nas redações”. Maranhão não fez a constatação em tom de lamento, parecia concordar com aquilo – afinal, dirigira o “Estadão” por vários anos e poderia ter aberto ali espaço para o jornalista. E pensei: ué, mas o discurso nos jornais não costuma ser o da abertura à diversidade? Por que no jornalismo econômico isso teria de ser diferente?

Não conheci Biondi. Tenho até hoje a lista de um vôo que não peguei, para Brasília, naquele mesmo ano de 2000. Era a final do prêmio Líbero Badaró e o jornal (o mesmo “Estadão”) não me liberou. Ele era um dos jurados. Não ganhamos o prêmio e, muito mais importante, perdi a chance de conhecê-lo. Poucas semanas depois ele morreu.

Agora os filhos e amigos dele cuidam de um site em sua homenagem. A reunião de textos publicados em sua longa carreira acaba de ultrapassar mil documentos (cerca de metade da produção total do jornalista). Sim, considero-os documentos da história recente do Brasil.

Abro o site e clico na palavra “fome”. Nada mais atual que a crise mundial na produção de alimentos, não é?

Começo com um artigo para a Bundas, de 1999. intitulado: “Trigo para os porcos, dona Ruth!” Ele se referia a uma notícia sobre colheita de trigo jogada nos chiqueiros, currais e galinheiros do Paraná, “para alimentar porcos, bois e galinhas”. Os agricultores não tinham para quem vender a produção. Biondi criticava a suspensão da entrega de cestas básicas para 8,5 milhões de pessoas no Nordeste e em outros bolsões de pobreza. Dispara o jornalista:

- Os mesmos alimentos que estão sobrando no campo são cortados das cestas. Ruína para milhões de famílias de agricultores, fome para milhões de brasileiros. Compras do governo representariam renda, emprego, consumo no interior – e crescimento para toda a economia. E o inacreditável genocídio que está ocorrendo nas regiões pobres seria evitado. Ah, sim, os porcos vão luzidiamente bem, obrigado.

Vou em frente. Agora é um artigo na “Folha de São Paulo”, de 1994: “Como estoques de alimentos apodrecem os estoques de alimentos.” O problema era similar: “Milhões de toneladas de arroz, feijão, milho, ou café apodrecendo nos armazéns. Qual brasileiro não viu essa notícia nos jornais, ou imagens dramáticas na TV algumas dezenas de vezes nos últimos meses?” Mas dessa vez Biondi defendia não exatamente o governo, mas o Estado, segundo ele responsabilizado equivocadamente pelos fatos. Vejam:

- A verdade é exatamente o contrário. O apodrecimento de colheitas, milhões de toneladas, é o resultado da atuação dos grupos empresariais que, com a ajuda de ministros e formadores de opinião, tomaram de assalto a economia brasileira, e promovem verdadeiro saque dos bens públicos em todas as áreas –inclusive alimentos. São os grupos que fingem defender a "privatização", mas o que procuram é manter negócios bilionários, às custas da classe média e do povão brasileiros.

Estamos agora em 1975, e Biondi pergunta, na Gazeta Mercantil: “Onde há coragem de ir à raiz dos problemas?” Ele falava do Plano Nacional de Alimentação, que, em sua definição, visava a “distribuição de alimentação ‘suplementar’ (que, para milhões de brasileiros é um eufemismo, já que são vítimas da fome endêmica) às populações marginalizadas”. E trata de uma questão que, pela nomenclatura atual, poderia ser resumida em: agronegócio ou agricultura familiar?

- Dos estudos realizados por vários Ministérios, surgiram duas alternativas: produção de alimentos industrializados, por grandes grupos empresariais, ou produção de arroz, feijão, milho, por parte – atente-se – de milhões de pequenos produtores. A primeira proposta levaria forçosamente, como o demonstra a experiência, à concentração também da produção agrícola, pois as grandes empresas logo formariam grandes projetos agroindustriais (...)

Ao fim desse texto, ele completa: “Está na agricultura a raiz dos problemas brasileiros. Dos desperdícios e distorções de todos os tipos."

Tudo isso entre dezenas de textos que podem ajudar muito em nossa reflexão atual – e percepção histórica – sobre o tema.

O último texto sobre fome encontrado no site não traz data, mas foi publicado, também na “Folha”, durante o governo de Ronald Reagan: “O Brasil não fica no Hemisfério Norte”. Aqui o problema dos alimentos ganha uma visão internacional:

- A notícia de que o governo Reagan vai propor que os outros países exportadores de alimentos também reduzam sua produção, para combater os “excedentes” mundiais, exige meditação por parte desses personagens. Surgida no exato momento em que os problemas dos países pobres são discutidos em reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, a iniciativa dos EUA mostra o divórcio que continua existir entre o Norte e o Sul. Ao norte, os países ricos (pois a Comunidade Econômica Européia também deseja a redução da produção agrícola) mantêm uma postura imutável, não tomam conhecimento de todas as propostas surgidas nos últimos anos na FAO, na Unctad, na Comissão Brandt, em favor de uma nova Ordem Econômica Mundial – em que a integração das economias dos países ricos e pobres permitisse o aumento da renda, a redução da miséria, a redução da fome para centenas de milhões de seres humanos do 3º Mundo. Impermeáveis a essa tragédia humana, os EUA e demais países ricos continuam a apontar a mesma saída que sempre apontaram: reduzir a produção, reduzir o nível de emprego, aumentar a fome, aumentar a miséria. Fácil. Simples.

O site em homenagem ao jornalista (e ao jornalismo de qualidade, preocupado primordialmente com seres humanos, e não empresas ou mercados) é o www.aloysiobiondi.com.br. Fica a sugestão: não tem como traduzir para o francês e enviar uns trechos para o Pascal Lamy?

Contatos:

E-mail: brasilbiondi@yahoo.com.br

São Paulo: Antonio Biondi - (11) 7488-5449

Brasília: Pedro Biondi - (61) 8162-1991

Rio de Janeiro: Oona Castro - (21) 8181-2505

enviada por Tales Faria



13/07/2008 15:06

No Rio, crime organizado tem enormes currais eleitorais


Confesso que esta manchete me assustou



Um cabresto capaz de eleger até 25 vereadores

Poder de voto do crime organizado avança com as milícias

Repórteres: Paula Máiran e Renata Victal


Dos 4,5 milhões de eleitores do município do Rio, 11% – ou cerca de 500 mil pessoas – vivem em territórios dominados pelo tráfico ou pelas milícias e formam os chamados currais eleitorais. Em mais de 600 favelas, os grupos criminosos impedem o livre trânsito de candidatos a prefeito e vereadores e ainda impõem seus próprios candidatos aos moradores, sob a ameaça de suas armas. Os números dos votos de cabresto impressionam: quase um terço do que foi necessário para manter Cesar Maia, em 2004, no Palácio da Cidade (1,7 milhão de votos); eleger pelo menos 25 dos 50 vereadores da cidade, com 20 mil votos para cada; ou, num cálculo mais apertado, até toda a Câmara. A situação é tão grave que o TRE já convocou a Polícia Federal para garantir a liberdade aos candidatos e eleitores.

O tráfico de drogas ainda controla a maioria das favelas do Rio, mas a milícia avança e pelo menos 100 dessas comunidades – a maior parte nas zonas Oeste e Norte – vivem sob seu jugo, segundo levantamento recente da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Nas áreas de milícias, apenas os candidatos apoiados pelos bandos dominantes podem espalhar propaganda eleitoral e panfletar por ruas, vielas e praças. Aos demais, a entrada nas comunidades é impedida ou cerceada. Na Zona Oeste, em lugares como a favela Carobinha, em Paciência, um vereador apoiado pelo deputado estadual Jorge Babu (PT) é o único que ousa pregar cartazes sem permissão prévia. Mas basta a sua equipe deixar a favela para que homens da milícia auto-intitulada Liga da Justiça arranquem tudo.

Segundo denúncia encaminhada ao coordenador de fiscalização de propaganda do TRE, na Carobinha a vereadora Carminha Jerominho, ou Batgirl (PMDB), é imposta aos moradores sob a alegação de que milicianos têm acesso ao voto pessoal de cada eleitor. Batgirl é filha e sucessora política do vereador Jerominho (PMDB), preso sob a acusação de comandar milícias na Zona Oeste – entre elas a Carobinha.

No Complexo do Alemão, integrado por 12 comunidades na Penha, Ramos e Inhaúma, quem manda é o tráfico. Lá, segundo moradores que pedem anonimato, somente o vereador Jorginho da SOS (DEM) pode atuar.

Tanto nos domínios das milícias quanto nos do tráfico, candidatos só conseguem entrar com aprovação prévia. Na quarta-feira, Eduardo Paes (PMDB), por exemplo, panfletava na Pavuna quando, segundo um líder comunitário do Complexo da Penha, telefonou para um candidato local, de partido adversário, para pedir autorização para um corpo-a-corpo nas favelas do complexo - 10 ao todo, com 180 mil moradores. O pedido não foi concedido. Paes não retornou às ligações do JB.

Candidatos admitem o cerceamento. Fernando Gabeira (PV-PSDB-PPS) revela que já foi informado de que terá dificuldades para circular na Zona Oeste em sua campanha para prefeito.

– Existe dificuldade em entrar nas áreas controladas pelas milícias – admite. – Não negocio com eles. Ainda não tive problemas porque não fui lá, mas sei que vou ter.

Alessandro Molon, do PT, concorda com o adversário:

– Esse controle é criminoso, fere a soberania estadual. Repudio a hipótese de ter de pedir autorização para entrar em qualquer lugar.

Nas urnas

A interferência de traficantes e milicianos no resultado das urnas já foi constatada pelo cientista político da PUC Ricardo Ismael. Segundo ele, no último pleito, grupos de milicianos deram as cartas e conseguiram eleger representantes estaduais e federais.

– Apesar de o voto não ser distrital, a gente tem um recorte por áreas da cidade – explica Ismael. – Um grande problema é que o tráfico ou a milícia apoiam alguns candidatos. Isso já aconteceu em 2006 com deputados estaduais e federais.

O pesquisador esclarece que a solução passa pelo reforço na fiscalização da Justiça Eleitoral.

– É preciso fiscalizar para evitar que os grupos imponham seus candidatos e garantir o direito de ir e vir de todos – afirma. –Mas sei que não dá para garantir segurança aos fiscais em áreas conflagradas e isso facilita os currais eleitorais. O ideal seria que os eleitores pudessem votar livremente.

TRE convoca e Polícia Federal anuncia ajuda emergencial

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) convocou a Polícia Federal para uma ação emergencial no Rio contra ao cerceamento à livre campanha eleitoral em nacos do território controlados por traficantes e por milicianos armados com fuzis e metralhadoras.

Nenhum lugar do país enfrenta situação tão grave quanto o Rio, segundo o juiz Luiz Márcio Victor Alves Pereira, coordenador da fiscalização de propaganda no estado.

– A cidade está loteada por estes grupos. Temos recebido denúncias de casos de imposição de candidatos nessas regiões e já mobilizamos a Polícia Federal para uma ação imediata, além de um trabalho de inteligência para coibir esse crime eleitoral - explica o juiz.

O magitrado tem convocado lideranças das áreas citadas em denúncias para esclarecimentos. A candidata Carminha Jerominho já esteve com o juiz no TRE ao qual alegou não se identificar como Batgirl, alcunha pela qual foi citada em denúncia e pela qual se tornou conhecida na Zona Oeste, onde o seu pai, o vereador Jerominho é acusado de comandar a milícia.

De acordo com o juiz, os currais eleitorais já existiam, algo verificado em 2004, mas que, segundo ele, acentuou-se ainda mais desde as últimas eleições:

– A situação se agravou muito de 2006 para cá. E não pode haver esse tipo de cerceamento. É um problema de difícil solução, mas temos de agir para garantir a segurança de eleitores, candidatos e das próprias equipes de fiscalização, que sofrem limitações em sua atuação – afirma o magistrado.

Com dois meses e meio de campanha municipal pela frente, o TRE elabora uma campanha de conscientização dos moradores de favelas sobre os seus direitos eleitorais. (P.M)

Santa Marta: morro dividido entre oposição e situação

Em Botafogo, o morro Santa Marta vive uma situação incomum. A decisão do PMDB de lançar na última hora Eduardo Paes como candidato pegou de surpresa os moradores. Isso porque eles já tinham se comprometido a apoiar a comunista Jandira Feghali, explica o presidente da associação de moradores José Mário dos Santos, que também declara total e exclusivo apoio ao candidato a vereador Mario Del Rey.

–Há seis anos o Mário é o único político que aparece aqui – justifica Santos. –Ele continuou aparecendo mesmo depois de ter perdido a caneta. É o único candidato a vereador que entra aqui, que luta para resolver os nossos problemas. Ele nos pediu para apoiar a Jandira e a decisão do PMDB nos deixou dividido.

Segundo o líder comunitário, as obras que o governo estadual fez na favela, como o plano inclinado e a reforma de algumas casas, estimulam o voto em Paes:

–O Paes é o candidato do governador, que tem trabalhado pela gente, que fez várias obra, e também vamos pedir voto para ele.

Organização positiva

O coordenador de articulação político-institucional do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), François Bremaeker, não vê muito problema na escola de um candidato por determinada comunidade, desde que não seja pela imposição da força do tráfico ou de milícia

– A população nas favelas cresce mais nas áreas ricas e muitos políticos só aparecem nas comunidades na época eleitoral – constata Bremaeker. – Depois somem. Nada mais justo do que eles se organizarem para buscar um representante que não vai sumir depois. Que não vai almoçar ou tomar café com eles apenas durante a campanha. É válido apoiar alguém que possa lhes ajudar. (R.V)

Comunidades de portas fechadas na Penha e na Rocinha

No Complexo da Penha, dominado por uma facção do tráfico de drogas, lideranças de 10 comunidades assumem para si a decisão de apoiar a candidatura de apenas dois nomes para a Câmara Municipal e nenhum, pelo menos por enquanto, para prefeito.

– Sem autorização, nenhum candidato entra aqui – afirma o líder comunitário Edmundo Santos de Oliveira. – Estamos cansados desses políticos de Ipanema e do Leblon que só aparecem aqui em época de campanha para fazer promessas que nunca cumprem. Resolvemos apoiar somente um candidato a vereador que é cria daqui, o líder comunitário Luiz Cláudio dos Santos (PSDC) e a Teresa Bergher (PSDB), que mantém um centro social aqui onde as pessoas podem ir todo dia, cortar o cabelo, aplicar flúor, fazer fisioterapia.

Segundo Oliveira, Luiz Cláudio, de partido coligado ao do Crivella, trabalha pela comunidade e já conseguiu bolsas de estudo universitário de 70% de desconto para 400 jovens do complexo e 18 bolsas integrais para cursos profissionalizantes de radiologia e de enfermagem.

Luiz Cláudio, orientado por advogados, optou por não falar ao JB. Tereza disse que o Centro Social Parque Proletário é de seu marido:

–Não sabia que eles só iriam votar em mim e em outro candidato. Fico feliz – comemora a candidata – Mas o centro social não é meu, é do meu marido Gerson, deputado. Aquela é uma região muito abandonada. Fiz várias emendas no orçamento pedindo melhorias, mas o prefeito nunca atendeu.

Mobilização

Na Rocinha, cansados de promessas vãs, os moradores se reuniram e escolheram, pela primeira vez, ter candidato próprio: o presidente da associação de moradores, Lui